terça-feira, 29 de novembro de 2011

Oito

Não aguento mais essa chuva,
quando cai, queda e inunda...
Já acontece desde segunda,
desde já a pele murcha...

Parece propício em tal época,
findando os dias de alguma festa...
Decidem entrar por qualquer fresta,
impedindo improváveis serestas...

Tal peso completa a mente,
pelo coração inunda a consciência...
Integra os pensamentos,
questionando a permanência...

Desse orvalho eu não entendo,
quando escorre a face, machuca...
Ferindo mais que tapa de luva,
não aguento mais essa chuva...

domingo, 27 de novembro de 2011

Sentir



Sentir faz falta,
falta faz o que estou sentindo,
o sentimento que trago dentro,
pra mim, continuo omitindo...

A omissão é o meu recurso,
do que sei eu uso e abuso,
mesmo que fique recluso,
me repito até ficar confuso...

A confusão é meu engodo,
minha vida quedo quieto...cômodo,
escapo daquilo que não está,
sentado esperançoso...

Esperar não é de meu feitio,
aqui passo calor, lá frio...
Novo, velho, qualquer idade,
só tento esquecer de uma coisa,
que não consigo fugir da saudade...

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Vai e Volta


Vai...
Assim mesmo se você quiser então,
pense bem antes de tudo
Nossa andar em círculos sempre foi ineficaz
Mesmo nos policiando,
nosso espelho de casa é um oásis repetitivo
Levamos uma vida de auto-corrupção,
Não imagine que a vida é burocrática,
Invente um novo jeito para tudo,
comece de novo,
ou então volta...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Tenho Medo



Tenho medo...muito medo...
Meu poder de persuadir é pleno...
Meu erro é acertar no equívoco,
de um anseio talvez muito bem compreendido...

Lógica fatal de uma idéia instável...
Coragem em ter nas mãos algo pouco razoável...
Juízo pouco crente em pôr valor,
em alguma utopia, tal como o amor...

E o receio não é uma simples covardia,
é a estratégia que uso à noite pra poder observar o dia...
A luz que salvo até o entardecer,
serve de rota pra minha sombra fugitiva...

Do estado de atenção que me encontro,
desencontro minha distração...ou meu ponto,
de equilíbrio que me mantém estável,
no pêndulo que insiste meu pulso ritmar...

Esse que sempre controlo, pulsar de emoções...
Ânsia, pavor e frustrações...
Tremores de um temor sucinto,
que aparência tenho eu quando minto?

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Dedos

A capacidade do homem em não se limitar aos meios "usuais" de se comunicar é imensa...os cinco sentidos não ficam entre os Top cinco no momento de se expressar... Falo da mão...em específico os dedos...conseguimos transmitir um idioma inteiro por meio deles... Louco isso, não!?...bem não...muito antes de categorizar certos gestos e trejeitos, eles já diziam muita coisa... Do mesmo jeito que alegremente demonstramos o nosso contentamento com um "positivo", podemos sentenciar à morte se o dedão pesar e mudar verticalmente de posição... Conseguimos demonstrar todo nosso amor utilizando os dez dedos...para expressar o ódio precisamos só de um...lembram!? Conseguimos expressar nossos gostos musicais e estilos de vida com apenas dois dedos... Com três podemos dizer um "Eu te amo"... Com entralaçar de alguns dedos demonstramos afeto...ao passo que, dependendo da pressão, repreendemos... Confirmamos...negamos... Enfim...no reinventamos nas adversidades... Mas hoje as pessoas se expressam menos... ...estão "cheio de dedos" com elas mesmos...

sábado, 19 de novembro de 2011

Corteje


Muitas mentiras permeiam a realidade que nos cerca...
Primeiro...felicidade plena...não acredito...sou cético nessa questão...Uma que o ser humano é um homem chato, com tensão pré-menstrual, reclamando das dores da idade com um choramingar de um recém nascido...
E duas...não descobri nenhum remédio lisérgico o bastante para nos alimentar de um êxtase contínuo sem que nos restrinja algumas das poucas faculdades que usamos...
As afirmações convictas ríspidas tentando comprovar tal assunto contradizem ainda mais o locutor que não faz concessões...
Acredito nas pessoas de vida simples...que não descobriram ainda o fútil conforto que nos rodeia...
Acredito nas pessoas que descobriram o fútil conforto que nos permeia e conseguem demonstrar o real interesse pelo singelo...
Essas pessoas até posso acreditar que sejam felizes...plenas?...ainda não sei...
...por isso corteje-as...são as únicas que deixarão transparecer os rastros do caminho para aquela tal felicidade...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Incontrolável Locomotiva


Sigo tentando aquela quase utópica idéia de que posso dissertar sobre tudo o que observar...
O cachorro que manca de uma pata quebrada que mal suporta tal dor...ou sobre o olhar triste de uma menina com o rosto encostado na janela de um ônibus que não se move...
O sorriso bobo de uma mulher que teve seu olhar correspondido de um estranho conhecido...ou de alguém lhe perguntando se está tudo bem e de fato se interesse por sua resposta...
A incerteza aflitiva de receber tal ligação que pode melhorar seu dia...ou a dúvida cruel de qual comida lhe fez mal pela manhã e assim arruinou o resto de seu dia...
A raiva contida de alguém que trocou a música no momento em que estava prestes à soltar a voz...ou alegria desmedida de querer dividir com alguém em um momento totalmente inoportuno...
Esse trabalho desmedido de fomentar tais percepções sobre o cotidiano, corrobora com a intenção humana de desvendar os devaneios mais inúteis ao qual podemos nos esforçar à sedução de alguma compreensão...
Facilidade sem tamanho para pensamentos desregrados...
...interrupção exclusiva às concepções tendenciosas...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Marcando O Tempo


Fazer um som, um colo e um violão
Rir sem ver o rosto alheio...
Marcando na perna o tempo,
Perguntando por que ainda não veio...

Das coisas que falo, já vivi...
Das que sinto, já sorri...
Das que espero, faço figa...
Do que sei, a despedida...

O novo norte, mais à direita,
Escapo um pouco do que não presta...
Dos afetos bem nítidos,
Na lembrança me resta...

Na consciência, convicção...
Das desavenças, o perdão...
Da alegria, incomparável gratidão...
Do coração...bem lembrado...